Inserção da população negra na sociedade é tema do projeto Cine-Café

Debate está disponível no canal do TRE no YouTube

Sobre um fundo branco, no canto esquerdo há o desenho de uma xícara de café. Ao lado, o escrito ...

O projeto Cine-Café, organizado pela Escola Judiciária Eleitoral do TRE-MG, terá quatro edições em 2021. A primeira aborda a luta pela inserção da população negra em espaços e posições de destaque na sociedade brasileira e questões relacionadas à discriminação racial e de gênero.

Assista à íntegra do debate no canal do TRE no YouTube.

A discussão aconteceu em torno de reflexões sobre o documentário AmarElo – É Tudo Pra Ontem*, do músico e militante negro Emicida. No filme, o artista reflete sobre a história de pessoas negras no Brasil ao longo dos últimos cem anos, a partir de trechos do show de lançamento do disco AmarElo, realizado no Theatro Municipal de São Paulo em novembro de 2019.

Participaram do primeiro debate do Cine-Café em 2021 a promotora de justiça Ana Gabriela Brito Melo Rocha, titular da 3ª Promotoria de Justiça da Comarca de Três Pontas (MG); e o defensor público Fábio Souza de Carvalho, titular da 3ª Defensoria Pública de Imperatriz (MA), especializada na proteção dos direitos da criança e do adolescente. A conversa foi mediada por Diogo Cruvinel, cientista político e servidor do TRE-MG lotado na Seção de Pesquisa e Cidadania (SEPEC/EJEMG).

O debate começou em torno dos conceitos de racismo estrutural, considerado pelos participantes a questão central do documentário, e justiça restaurativa. A expressão racismo estrutural traduz o fato de o preconceito de raça estar presente em todas as estruturas da sociedade.

A promotora Ana Gabriela Rocha explicou que o racismo estrutural “é uma ordem social já incorporada, inconsciente. As ações são tidas como naturais”. Já o defensor púbico Fábio Carvalho completou que “Quando nós começamos a não perceber a presença do racismo nas nossas relações, ele fica banalizado, e essa banalização é um perigo para a sociedade”.

A justiça restaurativa, segundo o Conselho Nacional de Justiça, é um conjunto de princípios, métodos, técnicas e atividades que visa conscientizar sobre os fatores relacionais, institucionais e sociais motivadores de conflitos e violência, e por meio do qual os conflitos que geram dano são solucionados de modo estruturado. Ana Gabriela comentou que a justiça restaurativa trabalha com o poder das histórias.

“O documentário é de uma potência inenarrável, porque traz histórias que foram apagadas. Fala como houve o apagamento da presença e cultura negras no teatro, na arte, na arquitetura. Como houve uma limitação do direito de pertencer aos espaços. Quais histórias nós ouvimos desde a infância sobre a nossa aparência? Quais histórias foram contadas sobre a associação dos negros à criminalidade e vadiagem? Essas histórias que nos são contadas massacram a nossa autoestima”, ponderou a promotora.

Os debatedores também analisaram um ponto do documentário em que o músico Emicida diz que “A luta dos negros é a mesma das mulheres e das pessoas trans”. Eles comentaram que a grande maioria das pessoas tem uma visão de mundo restrita, a partir dos padrões que considera adequados. Fábio argumentou que “O pensamento de que o meu padrão deveria ser imposto ao mundo inteiro é a raiz comum de todo tipo de comportamento discriminatório e uma grande violência em relação ao direito do outro”. Ele apontou a “necessidade de desconstruir a visão que nós temos, para que ela se torne mais ampla e a gente veja a essência de todos”.

Ana Gabriela finalizou o debate refletindo que “Não podemos trabalhar só contra um tipo de violência. O documentário traz isso de uma forma muito bonita. Nós precisamos acolher todas as dores e cuidar uns dos outros na integralidade. Só assim vamos conseguir realizar o que a Constituição de 1988 fala, que é uma sociedade justa, fraterna e solidária”.

Sobre o Cine-Café

O projeto Cine-Café, lançado em 2018, tem a proposta de estabelecer o debate e a reflexão sobre temas relacionados aos mais variados enfoques da cidadania por meio da análise de trechos de filmes selecionados. Nos dois primeiros anos, foi um evento interno, apenas para colaboradores do TRE. Em 2020, passou a ser disponibilizado no YouTube. Em 2021, haverá quatro debates, gravados por meio de videoconferência e publicados no canal do TRE-MG no YouTube. Confira as datas:

- 16/04

- 18/06

- 17/09

- 19/11

O vídeo do primeiro debate tem intérprete de Libras, em uma janela no canto inferior direito da tela, e os três participantes fizeram a sua audiodescrição. Todas as edições do Cine-Café contarão com esses recursos, para que o conteúdo seja acessível para pessoas com deficiência visual e auditiva.

 

*O documentário AmarElo – É Tudo Pra Ontem está disponível na plataforma de vídeos Netflix.

 

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