Cine-Café de novembro debate “Relacionamento abusivo e violência doméstica”

19/11/2021

Foi realizada nessa quarta-feira (17), a quarta e última live do projeto Cine-Café de 2021, da Escola Judiciária Eleitoral, com o tema “Relacionamento abusivo e violência doméstica”

O evento foi aberto pela juíza Lívia Lúcia Oliveira Borba, Diretora-Executiva da Escola Judiciária Eleitoral de Minas Gerais, que ressaltou o papel do projeto Cine-Café de provocar o debate sobre temas relacionados aos mais variados enfoques de cidadania por meio de filmes selecionados.


Em seguida, passou para o tema dessa edição: “Relacionamento abusivo e violência doméstica” e comentou sobre o filme “A garota no trem” para iniciar o debate. De acordo com a juíza Lívia “os temas se entrelaçam e se mostram cada vez mais graves e atuais e o filme aborda de forma sútil o que iremos debater hoje”.

A debatedora Fabiane da Silva Gonçalves, graduada em Psicologia, afirmou que a maioria das mulheres que ela atende, que sofreram ou sofrem algum tipo de abuso ou violência, vivenciou tais fatos na infância ou na adolescência. Aí tem que se fazer todo um trabalho de reconstrução, um processo muito longo para se desconstruir isso e ela entenda que pode e merece viver fora dessa linha de abuso. Na terapia a gente acolhe e não julga.


Segundo Fabiane, ela enxergou no filme o que acontece na maioria dos casos que atende ou já atendeu e que também já aconteceu com ela: "a mulher que sofre a violência ou abuso, ao fazer uma denúncia ou prestar queixa, passa a ser tratada como uma pessoa louca ou desequilibrada, o que leva a maioria a desistir de continuar com o processo. Concluindo ela disse que isso pode ser evitado com um só telefonema denunciando o caso e que não devemos nos calar. Se conseguirmos mudar uma história, ajudar uma pessoa que seja já é um grande avanço."

 

 

A abordagem da Justiça sobre o tema

 

A outra debatedora, a juíza de direito da 2a Vara Criminal de Ibirité, Daniela Cunha Pereira, destacou o assunto pelo lado judiciário, citando a Lei Maria da Penha. “Devido à inovação no tratamento da vítima, acabou criando uma confusão na cabeça do operador do direito, demandando a revisão na maneira de atuar nesse tipo de processo. É completamente diferente um processo criminal comum (homicídio, roubo, etc.) de um processo de violência  doméstica. É uma mudança necessária, uma mudança de visão do mundo, para que a abordagem da justiça no julgamento de processos relacionados com essa lei, sejam vistos e conduzidos de forma diferente”, disse. Concluiu afirmando que devemos começar a mudar essa realidade e deixarmos um legado para as futuras gerações.

A transmissão está disponível no canal do TRE no YouTube e também no sistema Moodle, até o dia 30 de dezembro, para possibilitar a certificação e aquisição do adicional de qualificação (AQ).